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O que esperar da primeira entrevista em psicanálise?

  • Foto do escritor: Alessandra Becker
    Alessandra Becker
  • 28 de mar.
  • 2 min de leitura

Muitas pessoas chegam ao consultório com uma dúvida comum: "O que acontece na primeira sessão?". É natural que a expectativa esteja pautada no modelo médico tradicional, em uma consulta onde se relatam sintomas, recebe-se um diagnóstico e, possivelmente, uma prescrição ou conselho.


No entanto, na psicanálise, o primeiro encontro segue uma lógica distinta. Nós a chamamos de Entrevista Preliminar.



Mais que uma consulta, um encontro.


Diferente de uma consulta diretiva, a entrevista preliminar é o espaço onde o sujeito é convidado, talvez pela primeira vez, a se dizer além dos seus sintomas. Não buscamos apenas classificar o que dói, mas entender como essa dor se articula na história única de cada pessoa.


É um tempo de abertura. Um tempo necessário para verificar se aquele sofrimento pode ser transformado em uma questão e se essa questão pode dar início a um processo de análise.



O "Tato" de Sándor Ferenczi


Para sustentar esse momento de fragilidade e descoberta, recorro frequentemente aos ensinamentos de Sándor Ferenczi. O psicanalista húngaro introduziu um conceito fundamental para a clínica: o Tato.


Para Ferenczi, o tato clínico não é apenas uma gentileza, mas uma ferramenta técnica. Trata-se da capacidade do analista de "sentir com" o outro, ajustando sua escuta e sua presença à singularidade de quem chega. Na primeira entrevista, o tato é o que permite que o acolhimento aconteça sem invasões, respeitando o tempo e o silêncio de cada um.



O que esperar desse momento?


Se você está considerando iniciar um percurso analítico, saiba que as entrevistas iniciais são o fundamento de tudo o que virá a seguir. É nelas que estabelecemos o que chamamos de "contrato analítico" — não um documento frio, mas um acordo ético de trabalho entre duas pessoas.

Nesse espaço, a prioridade não é o diagnóstico rápido, mas a construção de um lugar onde a sua fala tenha peso, onde as suas repetições sejam ouvidas e onde a sua angústia possa, finalmente, encontrar um caminho de tradução.


O convite à fala


A análise é uma aposta na palavra. E toda aposta começa com um primeiro passo. Se o seu corpo tem gritado o que a sua voz ainda não consegue nomear, talvez seja o momento de dar lugar a essa escuta.

 
 
 

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