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A necessidade de controlar tudo e a exaustão da vida adulta

Foto do escritor: Alessandra Becker
Alessandra Becker
4 de ago.
3 min de leitura

Em um mundo que valoriza a alta produtividade, a previsibilidade e a eficiência, o hábito de tentar prever e gerenciar cada detalhe da vida costuma ser visto como uma virtude. No entanto, por trás dessa busca incessante pelo controle, frequentemente esconde-se um estado contínuo de vigilância e exaustão emocional.

É comum ouvir no consultório relatos de pessoas que se sentem constantemente sobrecarregadas, ansiosas e fisicamente exaustas: “Se eu não fizer, ninguém faz”, “Não consigo relaxar nem nas férias” ou “Fico remoendo cenários do futuro para não ser pego de surpresa”.

Quando a necessidade de controle deixa de ser um recurso prático do dia a dia e se torna uma exigência rígida, a vida adulta transforma-se em um ciclo ininterrupto de tensão. Mas o que a psicanálise tem a nos dizer sobre isso?


O controle como defesa contra a angústia


Na perspectiva analítica, a tentativa de controlar tudo funciona como um mecanismo de defesa psíquico.

Tentamos controlar o ambiente, as pessoas ao nosso redor, o desempenho profissional e as próprias emoções como uma forma de nos proteger daquilo que mais tememos: a incerteza, a falta e a angústia.


A lógica inconsciente por trás do controle costuma ser a seguinte: se eu conseguir antecipar todos os riscos e gerenciar todas as variáveis, nada de ruim acontecerá e nada me faltará.


O problema é que essa é uma conta que nunca fecha. O imprevisível faz parte da condição humana. Quanto mais tentamos dominar a realidade, mais percebemos a impossibilidade dessa tarefa — e é justamente nesse hiato entre o desejo de controle e a fragilidade do real que a ansiedade se instala e se multiplica.




Mesa ensolarada com pilha de livros, livro aberto, xícara de café e vaso com plantas, em tons quentes e tranquilos.

O custo invisível da hipervigilância


Viver em estado de alerta permanente gera um impacto profundo na vida emocional e física:


  • Esgotamento psíquico: A mente não descansa, pois está sempre ocupada mapeando cenários catastróficos ou tentando evitar falhas.


  • Rigidez nas relações: A dificuldade de delegar ou de aceitar que o outro faça as coisas à sua própria maneira gera conflitos e isolamento.


  • Corpo sob tensão: Dores musculares, insônia, aperto no peito e problemas digestivos costumam ser os primeiros sinais físicos de que a mente saturou.

O controle dá uma falsa sensação de segurança a curto prazo, mas cobra um preço altíssimo a longo prazo: a perda da espontaneidade e do prazer de viver no presente.





O que a psicanálise propõe diante do esgotamento?


O objetivo de um processo analítico não é ensinar técnicas rápidas para “gerenciar o estresse” ou criar novas rotinas rígidas. A psicanálise oferece um caminho diferente:


  1. Acolher a angústia sem tentar sufocá-la: Entender de onde vem o medo da perda de controle e quais experiências da sua história marcaram essa necessidade de proteção.


  2. Reconhecer os próprios limites: Fazer a transição da ilusão da omnipotência para a aceitação da própria vulnerabilidade — o que é libertador, e não um fracasso.


  3. Poder soltar sem se desorganizar: Descobrir que é possível abrir mão do domínio absoluto sobre tudo sem que a vida desmorone.


Aprender a soltar as rédeas não significa omissão ou desleixo. Significa construir uma relação mais flexível com o futuro e comigo mesmo, abrindo espaço para a leveza e a sustentabilidade emocional.






Atendimento e Agendamento


Se você percebe que a necessidade de gerenciar tudo ao seu redor tem gerado ansiedade e sobrecarga contínua, o espaço de análise pode te acompanhar no processo de construção de uma vida com mais margem e menos rigidez.


Realizo atendimentos presenciais no centro de Balneário Camboriú e consultas online para pessoas no Brasil e no exterior.




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